sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Tudo o que tenha a ver com comida não precisa de títulos sugestivos.

A minha relação com a cozinha foi sempre algo catastrófico. Primeiro, com a própria comida. Aquela velha máxima « o que não mata engorda » diz-nos, assim como quem não quer a coisa, que o chocolate, os bolos, e tudo o mais que contenha açúcar ( e, numa perspectiva mais dramática, tudo o que ingerimos ) vai parar àqueles sítios a que não queremos e, por isso, ver uma tablete de chocolate pode ser tão agradável quanto desanimador.

O segundo elemento desta minha relação com a cozinha é o próprio acto de cozinhar. Tinha eu 9 anos, andava na escola primária, e já algumas meninas sabiam estrelar um ovo. Eu, nada. Tinha eu 12 anos, andava no sexto ano, e já algumas meninas ( e meninos ) sabiam fazer um arroz ou um bife, em caso de necessidade. Eu ainda não tinha chegado à fase do ovo estrelado. Tinha eu 15 anos, andava no décimo ano, e já algumas meninas cozinhavam ao chegar a casa, durante a semana, porque as mães vinham tarde do trabalho. Eu continuava na fase do «ponho-a-mesa-e-já-é-muito». Tinha eu 18 anos, acabada de entrar na faculdade, e verifico que algumas meninas já cozinhavam diariamente, rotineiramente, e também inventavam pratos, faziam bolos para me receber, enfim, faziam do arroz, das cenouras e do cacau verdadeiras obras-de-arte. E eu lá continuava na fase do « quando-eu-precisar-vou-à-net-buscar-uma-receita-qualquer-e-faço-como-toda-a-gente ».


Este ano os meus pais resolveram investir no tratamento de choque. Compraram-me uma panela daquelas que se mete a comida toda para lá ao monte, deita-se água, carrega-se no botão « Arroz » ou « Legumes » ou « Tartes » e a coisa aparece feita. Grande excitação, grande alegria, « Vais aprender a cozinhar! ». E eu, claro, aproveitei logo para impor condições, que isso não é assim, «ah e tal temos uma nova inquilina cá em casa, chama-se Panela Mágica e é favor recebê-la com carinho. ». Nada disso. É para cozinhar, cozinha-se, mas a minha ementa quem a faz sou eu. E já os 200 euros estavam gastos, não havia remédio senão fazê-los úteis e aceder ao pedido. E assim passei a eu a ter estas maravilhas dentro de casa:







Devo dizer que agora tenho uma alimentação muito mais saudável e saborosa. E os meus melhores amigos na cozinha são estes ( e fazem a diferença toda! ):





Um pormenor importante da minha arte de cozinha é que não sigo receitas e tenho certa relutância em cozinhar coisas separadamente. Isto porque habituei-me com a panela e agora, que já estou na fase de cozinhar com tachos e panelas tradicionais e sem pózinhos mágicos, tenho dificuldade em largar o velho hábito. Ainda assim, o resultado, não sendo sempre exactamente aquele que eu esperava, tem sido sempre uma surpresa agradável!
Quem não gosta sempre das minhas invenções são os restantes habitantes da casa ( à excepção do Bobby; esse está-se nas tintas, não é ele que depois observa a chafurdice em que eu transformo a cozinha e até seria capaz de gostar ). Bem, hoje vou experimentar fazer pão-de-alho e um dia destes vai ser o meu bolinho de canela e pepitas de chocolate.

Não sei porquê, mas cheira-me que não tarda muito e, em vez de ser obrigada a cozinhar, vou é ser expressamente proibida de entrar na cozinha!

7 comentários:

Boneca de Trapos disse...

xD tenho dado comigo a pensar "mas que grande revolução se deu naquela cabeça!!" Passou-se de quem fazia o que pudesse para se manter longe da cozinha para começar a sentir-se atraida por ela (a cozinha) e falar-me numa grande animação sobre os milagres que a pimenta preta faz! :)

Ana Domingos disse...

Sou viciada em noz-moscada... Adorooo! Principalmente no puré-de-batata. Já experimentaste farinheira de soja? Também é divinal.

LUNA Karenine disse...

Ah a minha adoração é pelos cominhos :D Gosto muito na batata cozida. Noz moscada pus por cima de umas massas que se vendem tipo como comida pré-feita, têm espinafres dentro.Também fica bom.
Farinheira de soja não, nunca tinha ouvido falar!Não gosto de farinheira de carne, mas de soja era capaz de gostar!Tenho de procurar a receita :)

Victória J. Esseker disse...

Aqui é mais ao contrário. As pessoas vão a casamentos como se fossem almoçar a casa da tia. Então eu vou bem vestida e ficam todos a olhar para mim. Ontem também foi a primeira vez que usei saltos altos, mas acabei por desistir e calcei umas sabrinas quais queres. Saias não é comigo, nem vestidos, só gosto mesmo de usa-los em ocasiões especiais.

Victória J. Esseker disse...

A minha relação com a comida não é grande coisa. De vez em quando corre bem outras vezes corre mal. A única coisa que eu sei fazer e toda a gente adora é o meu arroz. Eu cozinho para sobreviver e se quiser algo melhor vou a um restaurante qualquer. E a pessoa que estiver comigo vai com muita sorte se for ao mcdonalds xD
A minha mãe queixa-se porque as minhas irmãs fazem lasanha, fazem isto fazem aquilo e ela pergunta-me todos os dias quando é que vou aprender a cozinhar. "Um dia mãe, um dia..."

Lady Candlelight disse...

estou ansiosa de ver esse bolo de pepitas emergir e tirares foto para partilhares connosco hehe

LUNA Karenine disse...

Estou a imaginar a cara da minha mãe quando me vir a tirar fotografias a um bolo xD Se ficar bonito eu partilho!;)